
Em 1971 uma carioca apaixonada por histórias criava uma das personagens mais encantadoras da nossa literatura infantil: Clara Luz - uma fadinha de 10 anos de idade, cheia de idéias, e que, cansada das regras estabelecidas pelo Livro das Fadas, resolve fazer tudo diferente. Até então todo o poder das varinhas de condão só servia para desencantar princesas e para fabricar tapetes voadores. Cansada dessa monotonia, Clara Luz decide colorir a chuva, dar voz aos relâmpagos, brincar de modelar as nuvens, ensinar balé às estrelas e até ampliar seus conhecimentos recebendo aulas de "horizontologia"! Para desespero da Fada-Mãe e de todas as outras fadas do céu, Clara Luz não teme as possíveis punições da Rainha das Fadas e faz tudo o que acha que vale a pena fazer. Com este enredo ousado, A Fada Que Tinha Idéias, de Fernanda Lopes de Almeida, pode ser considerado um dos maiores sucessos editoriais do país. Há 37 anos agrada aos críticos, já vendeu e continua vendendo milhares de exemplares, está na 28ª edição, ganhou vários prêmios, virou peça de teatro, também premiada, e o mais importante: em todo esse tempo conquista crianças e adultos de diversas gerações. Com 15 títulos publicados, dois em preparação e muitas traduções, como a de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, Fernanda é um fenômeno que, apesar de todo o sucesso, consegue ser quase uma desconhecida, mesmo para seus leitores. As entrevistas são raras e suas fotos não aparecem nos livros. Assim como as fadas, Fernanda é meio etérea, habita o imaginário de tanta gente há várias décadas e, entretanto, quase nunca é vista. Modesta, conseguiu que um de seus desejos fosse realizado com a força de muitas varinhas de condão: não quis ter a imagem divulgada, preferiu que conhecessem sua obra. E que obra! Mas como toda curiosidade deve mesmo ser premiada, a nossa já foi com o doce sorriso desta incrível escritora, tão sumida dos meios de comunicação e tão presente no coraçãodos leitores. Com vocês: Fernanda Lopes de Almeida!
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